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sábado, abril 15, 2006

e pensar que quando a gente começou com isso o texto era apenas texto

terça-feira, fevereiro 14, 2006

no samba-improviso para a amada, adoniran chamou uma cerveja e batucou na caixa de fósforo

de tanto levar flechada do teu olhar
meu peito até parece sabe o quê?
tábua de tiro ao alvo
não tem mais onde furar

teu olhar mata mais do que bala de carabina
que veneno, estricnina
que peixeira de baiano
teu olhar mata mais que atropelamento
de automóvel, mata mais
que bala de revólver
vocês pensam que venceram, mas é só dinheiro. que o leite mau caia sobre suas caras preocupadas e corações apertados com o cifrão a mais de cada dia. para me proteger, um mantra. não é dos mais brilhantes, mas, afinal, falar de vocês não é cair no óbvio?

Não me amarra dinheiro não
Mas formosura
Dinheiro não
A pele escura
Dinheiro não
A carne dura
Dinheiro não

Moça preta do Curuzu
Beleza pura
Federação
Beleza pura
Boca do Rio
Beleza pura
Dinheiro não

Quando essa preta começa a tratar do cabelo
É de se olhar
Toda a trama da trança
A transa do cabelo
Conchas do mar
Ela manda buscar pra botar no cabelo
Toda minúcia
Toda delícia

Não me amarra dinheiro não
Mas elegância
Não me amarra dinheiro não
Mas a cultura
Dinheiro não
A pele escura
Dinheiro não
A carne dura
Dinheiro não

Moço lindo do Badauê
Beleza pura
Do Ilê Aiyê
Beleza pura
Dinheiro yeah
Beleza pura
Dinheiro não

Dentro daquele turbante dos Filhos de Ghandi
É o que há
Tudo é chique demais
Tudo é muito elegante
Manda botar
Fina palha da costa e que tudo se trance
Todos os búzios
Todos os ócios

Não me amarra dinheiro não
Mas os mistérios

repita comigo as três palavrinhas mágicas: "vão se foder"
e pq não toca jackson do pandeiro no carnaval?

Lá vem lá vem o bloco
Cadê o bloco já passou
Lá vem lá vem o bloco
Cadê o bloco já passou

É um bloco veloz feito um raio
Chamado Sou Eu Teu Amor

Viu, por onde ele passa
Sacode alegria a vapor
Limão com cachaça
E a onda do frevo esquentou

Lá vem o bloco
É um bloco que chega
É um bloco que passa
É um raio que rompe a traça
E a massa espanta a dor

Lá vem um bloco
Chamado Sou Eu Teu Amor

sexta-feira, janeiro 27, 2006

diz se não é o samba mais bonito que você já ouviu?

Tristeza Pé no Chão

Dei um aperto de saudade

No meu tamborim
Molhei o pano da cuíca
Com as minhas lágrimas
Dei meu tempo de espera
Para a marcação e cantei
A minha vida na avenida sem empolgação

Dei um aperto de saudade
No meu tamborim
Molhei o pano da cuíca
Com as minhas lágrimas
Dei meu tempo de espera
Para a marcação e cantei
A minha vida na avenida sem empolgação

Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão

Fiz o estandarte com as minhas mágoas
Usei como destaque a tua falsidade
Do nosso desacerto fiz meu samba enredo
Do velho som do minha surda dividi meus versos

Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão

Nas platinelas do pandeiro coloquei surdina
Marquei o último ensaio em qualquer esquina
Manchei o verde esperança da nossa bandeira
Marquei o dia do desfile para quarta-feira

Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Vai manter a tradição
Vai meu bloco tristeza e pé no chão
Se eu pudesse, eu não faria nada, nem a exceção

Clara, no bar. Os dois. Acabavam de se conhecer e já tocava Aracy de Almeida. Cantando Noel. Mais um pouco de Elis, e o preço era justo da dose. Dupla. Como se tudo houvesse sido criado por dois. Assim. Um ao lado do outro, sem jeito com o acaso. Parados diante do gim.

_ Mas eu também adoro filme de putaria.
_ Muita putaria?
_ Quanto mais peito e bunda, melhor.
_ E um belo rala e rola.
_ Mostrando tudo. Aquela beleza.
_ É, mas escuta. Você jura que não está me achando lésbica?
_ Imagina. Pela primeira vez eu vejo que tenho algo verdadeiro para dividir com uma mulher.

Hoje em dias já não bastam mais as camisetas escritas “eu te amo”.
É preciso sintonia.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

salve o compositor popular

Sentindo frio em minha alma
Te convidei pra dançar
A tua voz me acalmava
São dois pra lá, dois pra cá

Meu coração traiçoeiro
Batia mais que o bongô
Tremia mais que as maracas
Descompassado de amor

Minha cabeça rodando
Rodava mais que os casais
O teu perfume gardênia
E não me perguntes mais

A tua mão no pescoço
As tuas costas macias
Por quanto tempo rodaram
As minhas noites vazias

No dedo um falso brilhante
Brincos iguais ao colar
E a ponta de um torturante
band aid no calcanhar

Eu hoje me embriagando
De wisky com guaraná
Ouvi tua voz murmurando
São dois pra lá, dois pra cá

segunda-feira, janeiro 16, 2006

na dúvida, vá de jazz

The sun has left and forgotten me
It’s dark, I cannot see
Why does this rain pour down
I’m gonna drown
In a sea
Of deep confusion

Somebody told me, I don’t know who
Whenever you are sad and blue
And you’re feelin’ all alone and left behind
Just take a look inside and you will find

You gotta hold on, hold on through the night
Hang on, things will be all right
Even when it’s dark
And not a bit of sparkling
Sing-song sunshine from above
Spreading rays of sunny love

Just hang on, hang on to the vine
Stay on, soon you’ll be divine
If you start to cry, look up to the sky
Something’s coming up ahead
To turn your tears to dew instead

And so I hold on to his advice
When change is hard and not so nice
You listen to your heart the whole night through
Your sunny someday will come one day soon to you

sábado, janeiro 14, 2006

às vezes está tudo lá, em 69, na voz do ronnie von

prepare tudo o que é seu
veja se nada você esqueceu
pois amanhã vamos pra rua fazer

fazer uma tremenda anarquia
pintar as ruas de alegria
porque quem manda hoje somos nós
mais ninguém

e não ligamos para quem vai
nem quem vem atrapalhar
há quem nos queira atrapalhar

nossa cidade será uma flor
as avenidas com cabo de amor
pois amanhã vamos pra rua fazer

fazer uma tremenda anarquia
pintar as ruas de alegria
porque quem manda hoje somos nós
mais ninguém

e não ligamos para quem vai
nem quem vem atrapalhar
há quem nos queira atrapalhar

e assim nós iremos adiante
iremos custe o que custar
pois as ordens vêm de um alto-falante
que só nós
não conseguimos escutar

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Por que queimar minha fogueira?
E destruir a companheira
Por que sangrar o meu amor assim?
Não penses ter a vida inteira
Para esconder teu coração
Mas breve que o tempo passa
Vem num galope o teu perdão

Porque temer a minha fêmea?
Se a possuis como ninguém
A cada bem do mal do amor em mim
Não penses ter a vida inteira
Para roubar meu coração
Cada vez é a primeira
Dou fé também serás ladrão

Deixa eu cantar
Aquela velha história, o amor
Deixa penar, a liberdade está também na dor

Eu vivo a vida a vida inteira
A descobrir o que é o amor
Leve pulsar do sol a me queimar
Não penso ter a vida inteira
Pra guiar meu coração
Sei que a vida é passageira
E o amor que eu tenho não!

Quero ofertar
A minha outra face à dor
Deixa eu sonhar com a tua outra face, amor

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